domingo, 16 de março de 2014

Pudim de abacaxi | Língua de gato | Baguetes de gergelim

Degustação de 23/03/2014, um final de domingo muito, muito quente, que pedia comida leve. A partir desta passarei a postar também receitas dos acompanhamentos salgados preparados para a ocasião. É mais um espaço de divulgação e creio que todos gostarão.

Pudim de abacaxi

12 ovos, sendo 4 sem claras
12 colheres (sopa) de açúcar
1 xícara (chá) de caldo de abacaxi
1 colher (sopa) de amido de milho (maisena)

Bater os ovos com o açúcar e passar pela peneira 3 vezes. Juntar o de amido de milho e por último o caldo do abacaxi. Colocar esta mistura em forma com açúcar queimado e levar ao fogo em banho maria por aproximadamente 40 minutos. Depois de frio, virar em prato de vidro e enfeitar com tirinhas de abacaxi.





Meus comentários: o pudim é delicioso, mas não tem consistência suficiente para desenformar. Ficou grudado no açúcar do fundo da forma. Vou experimentar novamente, levando em banho maria no forno, em refratário que possa ir à mesa.
Servi as tirinhas de abacaxi em separado.






Língua de gato com limão

Fiquei muito curiosa com a quantidade de receitas destas línguas de gato. Deviam ser tão comuns que não trazem informação sobre COMO fazer os formatos. Considero estas reuniões de degustação um laboratório de sabores e aparências, arrisquei, mas ainda não considero resolvido. Por isso vou tentar mais vezes.

Esta  receita, intitulada RECEITA ÚTIL, era impressa, recortada e colada na contracapa do caderno mais antigo, iniciado em 1889! Reproduzo-a na íntegra:

Amassa-se, em um alguidar de barro vidrado:
3 ovos
300g de farinha de trigo
350g de açúcar 
raspa de um limão
suco de 2 limões
Em estando tudo bem amassado, preparam-se e cosem-se estas línguas de gato com limão, como as línguas de gato usuaes.




A massa ficou em consistência razoável, porém, quando coloquei no forno o formato que tentei fazer não se segurou. Desmancharam, unindo-se uns aos outros. Mas o sabor é ótimo, ao mesmo tempo ácido e delicado. Enfrentarei o desafio e farei novamente estas línguas de gato.






Baguete de gergelim (receita do Sr. João Abrahão, da Padaria Barcelona)

500g de farinha de trigo
1 colher (sopa) cheia de margarina (ou outra gordura)
1 colher (sopa) cheia de açúcar
1 colher (sopa) cheia de leite em pó
1 colher (sobremesa) de sal
20g de fermento biológico
250g de água morna
sementes de gergelim o quanto baste

1. Colocar a farinha sobre superfície lisa, formando coroa.
2. Fazer a espuma com o fermento, um pouco da água e da farinha.
2. Juntar os demais ingredientes.
4. Amassar bem, enfarinhando sempre, até chegar à massa lisa que não grude nas mãos.
5. Crescer durante aproximadamente 30 minutos.
6. Cortar em 3 partes, de cada uma fazendo uma baguete.
7. Crescer cerca de mais 30 minutos, até dobrar de volume.
8. Pegar cada baguete, mergulhar na água e passar pelas sementes de gergelim
9. Fazer cortes com tesoura para enfeitar as baguetes
10. Levar ao forno já aquecido, entre 200 e 250ºC, mantendo durante aproximadamente 20 minutos.



Desta vez usei farinha integral pela metade da quantidade, isto é, 250g. Os pães não ficaram tão crocantes como ficam só com farinha branca, mas de todo modo ficaram deliciosos.







sábado, 15 de fevereiro de 2014

Creme Vovó Nhánhá | Bolos de milho | Pudim de claras

Para iniciar o ano de 2014 pensei em doces bem leves que compensassem o calor de 35 graus que estamos vivendo em São Paulo. Pelo título da receita e seus ingredientes, fiquei animada em experimentar o

Creme Vovó Nhánhá - receita impressa, recortada e colada no caderno nº 7, datado 03/1930

Ingredientes
100g de batatas inglesas
100g de amendoins
150g de açúcar
6 gemas
1 litro de leite
canela em pó

Modo de fazer
Cozinhar, descascar as batatas e passá-las pela peneira. Torrar os amendoins, tirar a pele e triturar. Juntar estes aos demais ingredientes e levar ao fogo, mexendo sempre até cozinhar bem. Despejar em uma ou mais cremeiras, polvilhando canela em pó. Servir gelado.

Ao cozinhar ganha aspecto cremoso


A mistura de batata e amendoins resulta em sabor muito interessante!


Bolos de milho - do caderno nº 7, de 1930

1 pires de fubá amarelo  (pires de chá = 100g)
1 pires de araruta           (pires de chá = 100g)
1 pires de açúcar            (pires de chá = 100g)
2 colheres (sopa) de gordura (usei margarina)
1 colher (sopa) de manteiga
4 gemas
2 claras batidas

Depois de misturar bem todos os ingredientes, vai ao forno em forminhas (usei forminhas de papel)






A receita não leva fermento, mas os bolinhos ficam
muito macios e saborosos!









Pudim de claras 

Sempre que sobram claras das receitas escolhidas, utilizo para suspirinhos ou pudim de claras. Este fiz no formato de pudim com minha receita infalível de suspiros:

Medir as claras em xícaras de chá.
Para cada uma, adicionar 3 de açúcar.
Colocar em vasilha que possa ir ao fogo, em banho maria, até que o açúcar se misture perfeitamente às claras. Em seguida colocar na batedeira, juntando 1 colher (sopa) de vinagre branco. Bater por 10 minutos em velocidade alta, até formar picos.

Colocar em formar refratária forrada de calda branca ou queimada e assar por cerca de 15 minutos em temperatura a mais baixa possível (em geral 180ºC). Servir gelado.

















Aos amigos da foto (Luciano, Beto, Ana Cláudia, Marly, Ana Luiza, Débora e Gisele), 
além dos que já haviam saído (Carlos, Heleni e Elem), fica meu agradecimento
 e convite para continuarmos juntos nesta doce experiência. 


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cicirata ou Strufoli | Bolo de reis

A degustação de dezembro teve intenção maior. Foi também a comemoração do Terra Madre Day 2013, o Dia da Terra celebrado pelo Movimento Slow Food no mundo todo, além de antecipar o clima de Natal.

Para data tão significativa e, considerando minha origem metade italiana metade portuguesa, escolhi duas receitas para contemplar todas as festividades:

Cicirata (dizem os italianos que é o mesmo que Strufoli, embora meus amigos de descendência do sul da Itália não confirmem). Está na página 111 do livro, na classificação "Italodescendentes".

Massa
6 ovos
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de fermento em pó
farinha de trigo, o necessário para formar a massa mole que não grude nas mãos
óleo para fritar

Depois de misturar e amassar bem, fazer cobrinhas e cortar a cada 1 a 2 centímetros. Depois de tudo cortado, fritar em bastante óleo bem quente.

Calda
12 colheres (sopa) de açúcar
1 1/2 xícara (chá) de mel de abelhas
1 colher (sopa) de chocolate em pó (usei cacau, sem açúcar)
1 colher (sopa) de canela em pó
raspas das cascas de 1 limão e 1 laranja

Colocar todos os ingredientes para ferver em fogo baixo, por alguns minutos (3 a 5)
Em seguida, colocar todas as bolinhas na calda e montar em forma de coroa sobre prato de bolo.




Ao fritar, o que acontece muito rápido, os cortes que parecem quadradinhos ficarão bem arrendondados.




Para apoiar o prato usei uma base de tecido verde feita originalmente para apresentação de panetone na mesa.
Bolo de reis (receita herdada de minha mãe, a metade portuguesa)

Ingredientes
3 copos (750ml) de água quente
1 copo  (250ml) de uvas passa
1 copo  (250ml) de frutas cristalizadas picadas
1 copo  (250ml) de castanhas do Brasil picadas (xerem)
2 ovos
4 colheres (sopa) de margarina
2 colheres (sopa) do licor de sua preferência

À parte, peneirar em tigela grande:
5 copos (750g) de farinha de trigo
4 copos (600g) de açúcar
1 colher (chá) de sal
2 colheres (chá) cheias de bicarbonato
2 colheres (chá) cheias de fermento em pó

Misturar bem e juntar a água com as frutas, os ovos batidos e as castanhas picadas.
Despejar em formas de pão, untadas e forradas com papel manteiga, levando ao forno por cerca de 25 minutos. Esta receita dá para 4 bolos.

 

Como se tratava de uma mesa de Natal, fiz um Fondant de cobertura e usei parte das frutas cristalizadas para cobrir o bolo. A receita do fondant é a mesma da cobertura dos Camafeus (outubro 2013).


Amigos que me prestigiam nas degustações, aos quais ofereço esta postagem com meu agradecimento:
Claúdia, Ana Tomazoni, Heleni, Carlos, Marly, Isabel, Elem.


E aqui a homenagem ao Terra Madre Day que estivemos comemorando!



Reformulação do blog

Em dezembro de 2013 não consegui mais fazer minhas postagens no blog. Depois de várias tentativas e ajuda do meu filho especialista em informática, em janeiro entrei em contato com a editora que publicou o livro O Ponto do Doce e fiquei sabendo que há dois anos (!) deixaram de usar os blogues como ferramenta de divulgação dos livros. Sem aviso nenhum aos autores, claro (não dá mesmo para confiar nesse pessoal, já que a única coisa que os interessa é a venda dos livros).

A solução foi copiar o blog e refazê-lo postagem por postagem para ficar com a mesma ordem cronológica. Para isso tive que alterar seu nome, que passa a ser: www.domingonopontododoce.blogspot.com

Esta, portanto é a primeira postagem da nova fase, que incluiu nos seus objetivos a degustação. A partir de agora, quando houver receita interessante de algum prato salgado, ela será também contemplada no blog.

Os seguidores precisarão se inscrever novamente. Agradeço a todos.




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pudim republicano | Bolo claro

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


Pudim republicano | Bolo claro

A degustação de outubro aconteceu no dia 24, portanto, logo depois do dia da nossa república. Achei que, diante das decisões do STJ sobre os  processos que já rolavam nos últimos  8 anos, que culminaram com a prisão de pessoas conhecidas, devíamos (e merecíamos) uma comemoração à altura dos 124 anos da república brasileira. Há bastante tempo não tínhamos tanta certeza da sua permanência!

Por isso, valeu a pena pesquisar entre os antigos cadernos e encontrar receitas tão apropriadas à época:

Pudim republicano - do caderno nº 5, datado 1920

Depois 80 anos de colônia e império de Portugal e apenas 30 anos após a proclamação da república, certamente o fato ainda ocupava bastante espaço na imaginação e na memória afetiva das pessoas, que com ele marcavam suas preferências culinárias intitulando suas receitas. Suponho que assim tenha surgido essa, amplamente divulgada entre mulheres do sudeste brasileiro, mais especificamente Estado de São Paulo.

Ingredientes
600g de açúcar - USEI 500g
150g de farinha de trigo - dá para diminuir para 120g
12 gemas
6  claras
1 litro de leite - não deve ser desnatado
noz-moscada ralada a gosto
6 cálices de vinho branco = 200g (ou 3 de vinho do Porto = 100g)

Misturar a farinha com a noz-moscada.Colocar os ovos um a um, mexendo com colher de pau, depois o leite e por último o vinho.
Assar em forma untada com calda grossa e em banho-maria. Antes de despejar na forma, misturar bem para que a farinha não deposite.





A mistura na tigela e na forma pronta para o forno.



Ficou bonito depois de assado, com as beiradas bem coradas.

O aspecto ao servir é bom, e o sabor... hum...o vinho deixa um toque muito especial.
Vale a pena experimentar!







Bolo claro - caderno nº 5, datado1920

1 xícara de açúcar
2 xícaras de farinha de trigo
1/2 xícara de manteiga
1/2 xícara de leite
3 claras em neve
1 colher de chá de fermento - USEI 2
Caldo de 1 limão Taiti

Bater muito bem o açúcar com a manteiga. Em seguida adicionar alternadamente a farinha e o leite. Por último juntar o caldo do limão, as claras em neve e o fermento. Assar em forma untada com manteiga e polvilhada de farinha de trigo.


Por ser uma receita pequena, assei em forma de 23cm de diâmetro e ficou com aproximadamente 4cm de altura. O bolo fica aerado e bem clarinho, já que leva apenas claras. Para nossa comemoração, por ser branquinho, teve o significado de bandeira de paz da democracia.

Desta vez não fotografei a mesa e as pessoas, mas estiveram comigo: Heleni, Carlos, Ana Luiza, Beto, Marly, Elem, Rosana e Ana Tomazoni.

A próxima degustação será em 15 de dezembro, quando comemoraremos o Terra Madre Day, celebrado mundialmente pelo movimento Slow Food. Para essa ocasião vou preparar uma cicirata, um doce
italiano tradicional do período natalino. Até lá!

Bolo escuro | Camafeus

sábado, 16 de novembro de 2013


Bolo escuro | Camafeus


Bolo escuro

O diferencial não é a receita, pois trata-se de um bolo de chocolate de composição bastante comum. A surpresa é encontrar em um caderno datado de 1920 uma receita de bolo com chocolate em pó, nessa época uma raridade entre nós. Desconheço a existência de marca brasileira nessa década, de onde suponho que se tratasse de chocolate importado da Inglaterra.

2 xícaras (chá) de açúcar
1 xícara (chá) de leite
1 xícara (chá) de manteiga (misturei manteiga e margarina em partes iguais)
3 xícaras (chá) de farinha de trigo
3 ovos
2 colheres de sopa de chocolate em pó (usei cacau sem açúcar)
1 colher de sopa de fermento em pó
1 colher de chá de noz-moscada ralada

Bater bem a manteiga com o açúcar. Juntar as gemas, batendo sempre. Peneirar a farinha com o fermento e o chocolate, colocando a mistura alternadamente com o leite. Por último juntar as claras em neve. Assar em forma untada e polvilhada, em forno a aproximadamente 200ºC. Fazer o teste do palito.





Dá um bolo alto, crescido, de consistência aerada.
Gostei da receita!









Camafeus

Escolhi este doce para ter a oportunidade de compartilhar a experiência antes de apresentá-los na palestra que daria no SESC Campinas no dia 13/11 como exemplo de doçaria portuguesa no Brasil, com destaque para a cidade de Pelotas, no Rio Grande do sul, como estudo de caso.O Camafeu, presente nas melhores confeitarias portuguesas, é um dos doces certificados pela Associação dos Doceiros de Pelotas.

Sua origem é a joia de mesmo nome, executada a partir de pedra cinzelada que dá relevo a uma figura emoldurada, geralmente uma cabeça ou um busto.

São feitos de nozes moídas cobertas por glacê de açúcar de confeiteiro e decorados por um pedaço de noz à guisa de figura em relevo, segundo receita do site www.fenadoce.com.br que transcrevo abaixo:

Ingredientes:
1 kg de nozes moídas (trituradas)
8 colheres de sopa rasas de açúcar
4 ovos
6 colheres de sopa de leite
1/2 xícara de bolachas Maria trituradas

Modo de preparar
1. Misture todos os ingredientes e leve ao fogo até aparecer o fundo da panela.
2. Faça os docinhos ovais, com as mãos passadas na manteiga, com a massa ainda morna.
3. Coloque todos os docinhos sobre um tabuleiro de tela para glacear.

Glacê de cobertura
Ingredientes
250g de açúcar de confeiteiro
2 colheres de sopa de rum
3 colheres de sopa de água quente

Modo de preparar
1. Misture todos os ingredientes
2. Despeje sobre os docinhos e embaixo deixe uma assadeira para pingar
3. Ainda úmido coloque uma metade da noz em cima do doce

Ao triturar as nozes, triture também as bolachas e reserve
Acrescente as bolachas trituradas por último. O cozimento é muito rápido.

Usei colher de sobremesa como medida para o tamanho dos doces
Com as mãos engorduradas de manteiga é muito fácil enrolar a massa


A consistência do glacê para não escorrer demais
A tela permite que o excesso de glacê escorra mas não se perca

As nozes colocadas com o glacê ainda úmido


O resultado é a delicadeza de um doce de festa carregado de tradição.
 Quem compartilhou a experiência em 27/10: Ana Claudia, Claudia Banús, 
Heleni, Carlos, Marly, Beto, Ana Luiza, Rosana e eu.


O Ponto do Doce no SESC Campinas - Camafeus

sábado, 26 de outubro de 2013


O Ponto do Doce no SESC Campinas

Será no próximo dia 13 de novembro, às 19 horas, com a palestra "Heranças de Portugal na doçaria brasileira - Uma história de sal e açúcar".

Farei um recorte da pesquisa, tratando de dois Estudos de Caso: o nº 2 - Filhós, para mostrar as várias maneiras como os populares bolinhos fritos podem ser feitos sem alterar o nome; em seguida falarei sobre o nº 5 - Pelotas e a Fenadoce. Aqui o título da palestra se aplicará completamente, já que Pelotas, RS, sem produzir açúcar, trouxe até nossos dias a tradição dos doces, estes de confeitaria, desde sempre conhecidos em Portugal e apreciados no mundo todo.

Vejam um exemplo: os Camafeus, delicados doces de festa inspirados nas joias europeias de mesmo nome.